Vacinar e Reformar: as urgências e prioridades de 2021

Escrito por Ingo Ploger em .

Artigo Latin Trade Janeiro 2021

 

…Vacinar e Reformar: as urgências e prioridades de 2021

Ingo Ploger: Empresário brasileiro, Presidente CEAL Capitulo brasileiro

 

Estamos entrando no ano de 2021 com a pandemia acelerada em quase todos os países, ao mesmo tempo que conseguimos iniciar a vacinar a população.

É uma corrida contra o tempo. Enquanto as novas cepas da COVID-19 aumentam exponencialmente o contágio e congestionam os sistemas de saúde, a vacinação em massa, contra a pandemia, não acelera da mesma forma a proteção contra o vírus.  Tudo indica que o primeiro semestre deste ano, teremos ainda um acréscimo forte de contagio, enquanto a vacina inicia seu efeito de proteção. A contenção poderá se dar no segundo semestre, se as nações conseguirem produzir e vacinar na velocidade exponencial suas populações pelos critérios de priorizar os segmentos da população de maior para menor risco.

É para todos uma situação emergencial que requer prioridade e competência.  E apesar da urgência ser colocada como uma lógica irrefutável na área sócio-medicinal, onde a prioridade da vida em todos os sentidos prevalece, essa máxima ainda não é entendida da mesma maneira na área política e econômica.

Estaremos em distanciamento social, home office e lockdown por mais tempo do que prevíamos. Para países desenvolvidos com populações menores que 100 milhões de habitantes, a prevalência da urgência e rapidez de vacinação, poderá se dar ainda no primeiro semestre de 2021, para se antever o combate efetivo e vencedor até o final deste ano. Já para os países de dimensões continentais, com populações acima de 100 milhões de habitantes ou em desenvolvimento, se não tiver acesso a vacina e possuir um sistema de atendimento eficaz de vacinação, esta previsão não se dará em 2021 e passará para 2022.

Vendo o planeta como um só, não basta um país estar bem e o seu vizinho não, pois não teremos a mobilidade que queremos e necessitamos. Assim nas Américas, poderemos ter países que estejam performando bem, mas precisam se manter ainda fechados a outros que não alcançaram seus níveis.

A velocidade de um comboio é medida pela menor velocidade de um de seus integrantes. Após se ajudar, é necessário ajudar ao mais lento para conseguirmos chegar ao destino que queremos. Isso requer senso de prioridade e urgência não só local, mas global.

Se na área sócio-medicinal temos hoje esse conhecimento e motivação, o mesmo não ocorre na economia e na política.

Sabemos que a economia pós-pandemia será outra: mais digitalizada, menos globalizada, com mais ricos e com maior pobreza. Sabemos que o endividamento global dos estados será bem maior em relação ao seu PIB. Portanto, com esse conhecimento, também sabemos que a gestão de estados e empresas não poderá ser igual à fase antes da pandemia. Temos um surto entre 1 a 3 anos de combate à pandemia que nos levou a ter mais presença do Estado em nossas economias.  Uma inflação crescente e uma demanda social maior. A capacidade dos Estados em manter seus subsídios ou incentivos ao consumo ( monetary easing, juros baixos, subsídios) é limitado e haverá a necessidade de recompor o equilíbrio dos orçamentos públicos.

A primeira reação, menos inteligente, imediatista e populista que observamos, é aumentar a carga tributária para aumentar a arrecadação. O efeito da curva de Laffer é desconsiderado, visto que o aumento de tributos pode causar exatamente o contrário: o de reduzir a atividade econômica e diminuir a arrecadação. Para se tornar mais popular, aumenta-se a carga sobre a FAGA ( Facebook, Amazon, Google e Apple) 1), ou sobre a “economia do  pecado” como cigarros, bebidas, junk food,  ou até sobre a taxação de grandes fortunas ( Argentina).  Com se isso não bastasse, entram propostas de tributar as movimentações financeiras, que são cumulativas e oneram o processo econômico como um todo.

A grande oportunidade econômica e política dos governantes está neste momento de crise global, de fazerem a sua lição de casa pelas REFORMAS.

Existe uma janela de oportunidade em 2021 para se realizar estas reformas na área política, social e econômica. Na área politica a reforma das democracias, pelos sistemas partidários, mais próximos aos eleitores, mais rápidos nas mudanças e transparência. Menos dogmática e radical e mais solidária. Na área econômica, podemos elencar a estruturação do Estado. Mais ágil, menos burocrático, mais próximo ao cidadão. Incentivando a iniciativa privada a gerar empregos, renda, investir em educação e inovação.

Na área tributária, reduzir o peso do estado das costas do contribuinte, fortalecendo as populações de baixa renda no que tange o consumo e investimento consciente. Estruturar o sistema de tributação para uma economia digital e de serviços, desonerando a indústria e o campo.

Propostas não faltam, o que falta de fato é vontade política de atender às urgências e dar prioridade às mudanças.

Na América Latina, a previsão de recuperação pelo Banco Mundial é de 3,7% sobre 2020.  Teremos eleições presidenciais neste ano no Peru, Equador e Chile e legislativas no México e na Argentina. Oportunidade de lançar as reformas como parte de programa de governo nestes países pode ser a chance, e nos outros países sem eleições neste ano, o sentimento de urgência e prioridade poderá ser a oportunidade para muitos terem esperança e expectativa para dias melhores.

Penso que merecemos isso!

“As idéias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões de instituições que atuam.”

Copyright © 2021 Ingo Ploger

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