Blockmind * o alto risco para a reputação

Escrito por Ingo Ploger em .

Latin Trade September 2019

Blockmind * o alto risco para a reputação

Ingo Plöger, entrepreneur, Brazilian, President CEAL – Brazilian Chapter

… não compre o produto brasileiro que você salva a Amazônia…

Frases como estas que cabem nos 280 caracteres do Twitter rivalizam de 1 a 2 milhões em menos de um dia, se contarmos as reações e os retwitters este número se multiplica.  O consumidor confrontado, na dúvida, deixa de comprar, se tiver uma opção ao lado melhor em preço e storytelling. Acompanhando nas últimas semanas a história das “florestas fumegantes” o acompanhamento sistemático na mídia digital, fez com que registrássemos que os comentários negativos pulassem de 170 milhões a 700 milhões em poucas semanas apenas. Algumas marcas de moda suspenderam a compra de matérias primas brasileiras, publicando a seu publico a decisão, na esperança de aumentar a sua popularidade e simpatia junto a estes grupos, pelo simples fato de não querer associar ao seu produto a um tema contaminante.  

Simultaneamente, no mesmo país, consumidores viralizam a maior feira automotiva do mundo, associando o carro como sendo um meio poluidor da atmosfera e focando nos SUVs como sendo um destruidor do nosso Planeta, pedindo um boicote ao veículo. 

Não muito longe dali, nas sextas feiras, o protesto de alunos, que vão às ruas incentivados por uma garota altamente comunicativa da Suécia, para deixar de estudar e se incomodar com o futuro do Planeta …estamos cuidando melhor do nosso futuro… centenas e agora milhares de seguidores mundo afora, vão substituir seus estudos, trabalho e afazeres por um mega protesto a favor de tópicos de Mudança Climática. 

Em 280 caracteres posicionam os “ leads “ acompanhados de vídeos, fotos que falam mais do que muitas palavras e um storytelling que reforça uma opinião em crescimento. A percepção se torna realidade.  Os grupos que a formam recebem como “presente adicional” pela atuação da Inteligência Artificial AI, as permanentes confirmações de outras fontes similares, reforçando a percepção como sendo a mais verdadeira das notícias, mostrando que milhões a seguem, e portanto legitima a “ verdade”.

Aumenta-se um comportamento de intolerância para o controverso e antagônico, aumentando-se a radicalização do certo e do errado. A polarização e a estridência se tornam marcas cada vez mais frequentes nas nossas atuais democracias. O ecossistema digital tem baixa empatia, que embora nos desse uma imensa liberdade, nos polariza cada dia mais. O confronto cultural se dá cada vez mais no Micro- e no Macroambiente. Acredito que se Samuel Huntigton reescrevesse sua obra The Clash of Civilisation deixaria de lado a questão dos valores culturais para descrever os “ valores das novas tribos” e a forma selvagem da defesa destas ideias.

Não há mais fronteiras, nem limitações para os 280 caracteres não nos atingirem e causarem um gigantesco risco à reputação de produtos, serviços, ações, indivíduos, grupos e paises. A consequência imediata é a quebra da reputação. 

Ela significa uma perda de valor real da confiança no produto, na empresa, no país.

Um exemplo é o Congresso da Áustria, recomendando a não aceitação do Tratado Mercosul-União Europeia, baseado nas “ verdades absolutas” das queimas das florestas.  

O mindset para o dialogo, esta sendo bloqueado sistematicamente e em velocidades gigantescas. Criamos de fato um Blockmind * que  torna a percepção certa ou errada em uma verdade absoluta, determinando nossas decisões. O irônico é que o criador do Blockchain nos deu um ferramental para aumentarmos a nossa segurança intercomunicativa e nós por outro lado deliberadamente deixamos que o valor verdade nos seja tomado por percepções sem tolerância para o contraditório. 

Para combater o  Blockmind precisamos falar mais uns com os outros e menos uns sobre os outros. O tempo para o debate, o tempo para se tratar de realidades confrontantes, de entender uma diferença na percepção, significa viver com ambiguidades desconfortáveis, que refletem a nossa vida real. E na própria convivência familiar sabemos que o uso intermitente do celular provoca o distanciamento dos presentes, pois o celular 

aproxima os que estão longe a afasta os que estão perto –

Enquanto o Blockmind destrói reputações aumentando as incertezas e a volatilidade precisamos de novas estratégias de comunicação e de gestão para a defesa e a reconquista da confiança.  A reconquista da confiança  não são feitas por campanhas de imagem, que ajudam somente a estancar o imediato, mas reconquistar a confiança, significa se expor a ambiguidade dos fatos, ter a vontade de conhecer a realidade, se abrir ao outro, debater com respeito pelas opiniões alheias, e buscar permanentemente o diálogo. Falar mais com os outros e não sobre os outros.

 *) Blockmind é um termo inventado por mim para explicar o bloqueio sistemático do novo mindset 

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