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As Américas sem fronteiras são uma visão compartilhada pelos empresários do CEAL. Pensamos por um instante na América de Norte ao Sul em que podemos visualizar, pesar e prospectar as dimensões conjugadas deste continente. Os espaços de liberdade dentro dos processos democráticos aumentam a capacidade de reação, das sociedades abertas, aos nossos anseios por uma sociedade cada vez mais conectada e consciente do seu poder de mudar, evoluir as democracias e fortalecer suas instituições, abrindo os canais de diálogo para dinamizar e acelerar as transformações necessárias pelas reformas dentro da legalidade democrática.

Para a liderança do CEAL, o tema das evoluções democráticas tem alta prioridade. Dentro deste esquadro visualizamos grandes oportunidades, onde a América Latina faz parte das soluções globais. Os grandes temas do futuro têm a América Latina como parte de sua solução, assim, por exemplo, a segurança alimentar para os 9 bilhões de habitantes estimados para 2050, que terão na América Latina um grande parceiro para atender esta demanda. Recursos naturais aprimorados e transformados poderão suprir produtos e serviços das crescentes classes médias, da Ásia, dos Estados Unidos, da Europa e da África.

A inserção da América Latina nas Cadeias Produtivas Globais terá como fonte relevante de recursos a matriz energética mais sustentável do mundo, sendo que as energias renováveis compõem a maior parte da matriz energética da América Latina e isto só será possível e factível se a América Latina cuidar do seu próprio desenvolvimento de uma forma mais conjugada e interligada.

A América Latina tem hoje um PIB (PPP) de aproximadamente U$ 7,5 bilhões, a metade dos Estados Unidos e da União Europeia e 2/3 da China.

O PIB per capita está na ordem de U$12 mil/ano, enquanto que na China está em torno de U$ 10 mil. Os investimentos estrangeiros diretos IED na América Latina estão na ordem de U$ 188 bilhões/ano, similar ao dos Estados Unidos e maior do que da China, U$ 124 bilhões e a União Europeia supera todos com U$ 245 bilhões.

Uma das características da América Latina é ter cadeias produtivas globais mais longas, fazendo com que o mercado interno tenha proporções maiores, referentes ao seu comércio internacional. As exportações mais importações são da ordem de 20% do PIB, similar aos Estados Unidos e da China, que também têm características de cadeias produtivas longas. Os processos de produção e inovação nas cadeias produtivas longas fazem com que a competitividade global possa ser constituída, desde que se invista em inovações e P&D. Na América Latina notamos este fenômeno na cadeia do agronegócio, particularmente na questão alimentar, ração, fibras e bioenergias.

A América Latina hoje já se desponta como sendo campeã nas proteínas animais e vegetais.

A competitividade dentro das fazendas ou das fábricas, na utilização dos recursos naturais, é alta, perdendo sucessivamente sua posição pelo alto custo da porteira para fora, ou seja, pela deficiência da infraestrutura e dos elevados custos tributários administrativos entre outros.

Os espaços empresariais, aliados aos investimentos públicos privados na área de logística e eficácia administrativa pública, poderão levar a América Latina a ter posições de Champions em muitas áreas.

A inserção social em larga escala nos últimos anos fez com que demandas reprimidas para produtos de entrada (entrance products), recebessem o estímulo de grandes escalas. Os resultados foram investimentos produtivos para produtos mais simples e de baixo custo. A América Latina transforma-se num grande consumidor de produtos de alta rotatividade (higiene, cosméticos, etc). As oportunidades de fazer mais e melhor com menos são estratégias que as empresas buscam na parceria Latino-Americana.

A educação que se inicia por politicas para a primeira infância e termina com a gestão inovadora do empreendedorismo são esforços fundamentais para inserir a América Latina na competitividade Global. O processo inovador, a criatividade e o empreendedorismo podem ser multiplicados se forem realizados de forma conjunta e não isoladas. Exemplos de excelência de inovações poderão ser encontrados nas áreas publicas privadas e institucionais na América Latina. Estas são experiências que queremos multiplicar e divulgar para dar acesso àqueles que estão longe das mesmas.

A mobilidade traduzida pela facilidade das pessoas terem informações e comunicar-se com rapidez e eficácia, e poderem movimentar serviços, produtos e a si próprio dentro de cidades inteligentes são temas que, a jovem sociedade latino-americana quer proporcionar às suas novas gerações, a impressionante conectividade atual das sociedades latino-americanas através dos seus Ipads, Iphones, que darão acesso à intermediação de conhecimento e processos para os indivíduos, famílias e suas comunidades.

As empresas latino-americanas, dentro deste processo, buscam por maiores espaços para poderem oferecer soluções inteligentes e cada vez mais competitivas. Parcerias globais e locais são estratégias que, acompanham setores e empresas no seu dia a dia para uma América sem fronteiras. Isto traria benefícios a todos os envolvidos, pela interação das pessoas dentro de seu continente, pela proximidade cultural e diversidade de suas histórias e experiências. São riquezas que quando direcionadas a este objetivo comum produziram inserção e compartilharam prosperidade. Neste processo de integração física, social e de conhecimento da dinâmica do crescimento da nova classe media de baixo para cima, reduzindo a extrema pobreza, eliminado a fome e ao aumentar o bem-estar de nossos povos aumentará ainda mais a dinâmica da paz, da tolerância e da prosperidade mundial. A manutenção dos princípios do respeito à natureza contribuirá para a maior sustentabilidade do planeta. A cada dia no âmbito da globalização, a América Latina é cada vez mais uma solução e não um problema, isto se conseguirmos avançar nas nossas fronteiras mentais e alargar os espaços ainda não ocupados pelo desenvolvimento da esperança em podermos fazer mais por nós mesmos.

 Ingo Plöger é empresário, engenheiro economista, conselheiro de empresas nacionais e internacionais e presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional.

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