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A velocidade com que as alianças estão ocorrendo entre outros blocos é intensa e podemos ficar

Por Ingo Ploger

O empresariado brasileiro tem reivindicado há algum tempo uma posição mais efetiva do governo no que se refere a acordos comerciais com outros países. O pleito foi corroborado recentemente com uma carta do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), enviada à presidência, e com a divulgação da Agenda de Integração Externa pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Entretanto, mesmo com todos os argumentos e números explanados em ambos os documentos, nenhuma ação foi tomada.

O Brasil está muito atrás de outras nações no que se refere a acordos preferenciais de comércio. Enquanto o Chile fechou 62 parcerias, a Colômbia 60 e o Peru 52, o Brasil permanece negociando internacionalmente por meio de 22 preferências, sendo que nos últimos vinte anos celebramos apenas três: com Israel, Palestina e Egito. Agora, a necessidade de maior atenção a essa pauta se mostra com a celebração da Aliança para o Pacífico, acordo que engloba Chile, Peru, México e Colômbia e já tem 90% dos itens em pauta consensados. Tal acordo, ao qual o Brasil apenas assiste, facilita não só a integração entre os próprios países envolvidos como também com a União Europeia e os EUA, blocos aos quais não temos acesso.

Precisamos de urgência na mudança de nossas pautas porque a velocidade com que as alianças estão ocorrendo é intensa e podemos ficar isolados frente ao comércio internacional. Exemplo disto é o recente e inédito Acordo de Livre Comércio entre a China e a Suíça

Entretanto, a Aliança para o Pacífico é apenas mais um dos vários Acordos Preferenciais de Comércio que têm sido fechados nos últimos anos. De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), até janeiro de 2013 foram efetuados 543 acordos bilaterais em todo o mundo, dos quais mais da metade foram negociados nos últimos dez anos e 354 estão em vigor. Essa proliferação cria uma nova regulação do comércio mundial, sobretudo devido ao impasse das negociações da Rodada Doha e à falta de atualização das regras da OMC. Neste sentido, é importante que o Brasil defina quais são seus interesses e estabeleça princípios para firmar uma posição neste cenário, sob o risco de sofrer um isolamento que prejudicará substancialmente nossa indústria.

Atualmente, nossa atuação internacional é quase que totalmente feita por meio do Mercosul, que teve suas vantagens competitivas e comparativas durante muitos anos, mas que com as situações atuais da Argentina e da Venezuela está com dificuldades para se posicionar em relação a blocos importantes. Hoje, por ser a maior economia do bloco, a mais sustentável, com os menores índices de inflação e os maiores de crescimento, o Brasil carrega um peso muito alto tentando levar todos os outros parceiros a um denominador comum. Lembrando que os recentes acordos celebrados por nossos vizinhos se sobrepõem às preferências tarifárias que já conquistamos, o que nos faz perder progressivamente a expressão no continente. O que temos é pouco, precisamos de mais.

Por isso, pleiteamos com urgência que o Brasil assuma a liderança desse bloco para impor um ritmo mais acelerado nessas questões e recuperar o espaço que perdemos, nos aproximando mais da dinâmica que observamos em outros países da América Latina. Nesse contexto, sugerimos duas saídas. Uma delas seria o Brasil se sobressair perante os outros membros e oferecer à União Europeia, por exemplo, uma proposta muito mais ousada para acelerar a negociação que já está em andamento. A outra é nos inserirmos em um contexto maior em relação à Aliança do Pacífico, acordo que está ocorrendo na nossa vizinhança e com o qual perderíamos espaço tanto para os EUA como para a China, mercado de alta relevância principalmente no que se refere a produtos beneficiados.

Além disso, há um forte desequilíbrio entre o que estamos absorvendo e o que podemos oferecer ao comércio mundial. Enquanto aumentamos intensamente nossa pauta importadora de produtos transformados e beneficiados, especialmente vindos da Ásia, mas também dos EUA e da União Europeia, nossa exportação tem avançado muito na questão de produtos básicos, representados principalmente pelas commodities agroindustriais, minerais e energéticas. Isso é bom, mas não é suficiente. No contexto atual, há ainda uma substituição do modelo tradicional de bens produzidos integralmente em um país por uma cadeia de produção global que envolve um comércio de tarefas (trade in tasks), uma vez que os APCs reduzem custos de transação e eliminam barreiras à produção internacional. Com o número limitado de acordos, o Brasil fica fora dessa cadeia e compromete substancialmente sua inserção global. Neste sentido, precisamos de parcerias com regiões que possam integrar nossas empresas, ou seja, fontes de investimentos e tecnologia, como Europa, Japão e América do Norte.

Enfim, voltamos a afirmar que se não buscarmos preferências por meio de acordos comerciais perderemos ainda mais espaços e oportunidades não só nas categorias de produtos, mas também de cadeias produtivas. Entendemos que uma maior aproximação com as economias internacionais traz diversos desafios e que a baixa competitividade de nossa indústria é um obstáculo significativo, mas destacamos também que o isolamento não é uma opção para nosso país. Considerando que as negociações deste tipo são complexas e lentas, precisamos de urgência na mudança de nossas pautas e ousadia, porque a velocidade com que as alianças estão ocorrendo entre outros blocos é intensa e podemos ficar isolados frente ao comércio internacional. Exemplo disto é o Acordo de Livre Comércio entre a China e a Suíça, firmado recentemente, considerado um acordo histórico, o primeiro do gênero firmado entre Pequim e um país da Europa ocidental.

Temos necessidade de mudanças substanciais para atingir as estratégias brasileiras e, para isso, são necessárias ousadia e urgência das lideranças relacionadas ao comércio exterior.

Ingo Ploger é presidente no Brasil do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL).