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O Banco Central do Brasil elevou a taxa Selic em 50 pontos-base, contrapondo a tendência da maioria dos analistas de mercado, que apostavam em 75 pontos-base. A tendência de alta dos juros se deve à avaliação do Copom de que a indústria brasileira estava superaquecida em mais de 14% frente ao ano anterior, puxando o PIB para mais de 9% ao ano. Pela avaliação, esta evolução não seria sustentável para manter o Brasil com o centro da inflação nos níveis propostos de 4,5% ao ano.

A escassez nos suprimentos, a elevação dos insumos e a falta de produtos, como automóveis, fez com que o freio fosse acionado. Acontece que, com a alta de juros, não só o setor industrial se esfria, mas todo o crédito, o que afeta o comércio em geral, reduzindo a velocidade da moeda em curso. Em julho encontramos sinais contraditórios: de um lado, estoques no setor automotivo acima do esperado e redução de demanda na linha branca; por outro lado, crescimento extraordinário no setor imobiliário e em algumas áreas de consumo, além do turismo. Os sinais contraditórios já explicam o porquê da redução da expectativa inflacionária e o início da redução do crescimento dos juros.

Enquanto isto, nos Estados Unidos, outros sinais contraditórios são emitidos pelas empresas e pelo Fed; alguns resultados semestrais surpreendem pela recuperação, em especial do setor automotivo e do consumo de bens não duráveis, outros apresentam resultados ainda muito apertados, aquém do esperado, e com isso, o Fed mantém certa instabilidade quanto ao horizonte da economia norte-americana.

"Temos um limite para o nosso crescimento? Se sim, qual seria esse limite?"

A Europa concluiu seus testes de estresse com os bancos e demonstrou controle sobre a situação, embora apresente alguns deles na UTI. É interessante notar que, nos EUA, centenas de pequenos bancos quebraram sem que isto fosse notícia de manchete em qualquer jornal de grande circulação. A China reduz, de maneira sutil, mas permanente, o seu crescimento em função do aquecido setor imobiliário. A redução do expressivo crescimento também se deve pela elevação dos índices inflacionários, sem que estes fossem repassados aos salários (motivo pelo qual, talvez, pela primeira vez, colaboradores de empresas estrangeiras entram em greve, reivindicando aumento salarial). Será que se inicia aqui também um processo de limitar crescimentos em função dos indicadores macroeconômicos?

Os quatro exemplos acima colocados demonstram que, embora tenham realidades distintas, no Brasil, na Europa, nos EUA e na China as conseqüências são similares, ou seja, limita-se o crescimento em função da estabilidade macroeconômica.

Voltando a questão novamente ao Brasil, fica a pergunta: Temos um limite para o nosso crescimento? Se sim, qual seria este limite?

Na década de 1970, divulgou-se um estudo elaborado pelo então Club de Roma, que alertava as nações de que os recursos naturais são finitos e que o crescimento não tinha como ser indefinidamente alto. À época, a OPEP, que deve ter estudado muito bem esse assunto, elevou os preços do petróleo que eram em torno de US$ 5,00 o barril, para perto dos patamares hoje vistos, acima dos US$ 70,00 por barril. A lógica da época era a de que os insumos eram limitados e que, portanto, o crescimento estava limitado à sua exaustão.

A realidade posterior mostrou que o limite do crescimento não ocorreu pelo limite da exaustão, mas pelo crescimento dos limites em todos os campos industriais e sociais. Os recordes de produtividade e inovação superaram limites não conhecidos e, na economia, os limites nacionais foram superados pelos limites regionais e pela amplitude global dos mercados. Com este aprendizado, entramos na avaliação brasileira. Se hoje temos os nossos limites testados, para não serem inflacionários, entre 6 a 7%, não quer dizer que jamais poderemos crescer acima destes limites. O limite entre 6 a 7% parece viável, no equilíbrio entre serviços, crescendo na ordem de 5 a 6% (50% do PIB); a agricultura, entre 6 e 7% (23% do PIB); e a indústria crescendo até 8%. A questão é como fazer para expandir os limites para cada uma das partes do PIB, sem tornar a evolução inflacionária e/ou sem aumentar o endividamento.

Investimentos nas diversas dimensões será a resposta. Na área de serviços, por exemplo, os investimentos em educação, treinamento e sistemas; na agricultura, saindo da área exógena como clima e terra, investimentos em tecnologia, infraestrutura e recursos humanos são fundamentais. Na indústria, investimentos serão necessários em inovação, tecnologias, infraestrutura e recursos humanos. Os investimentos de prazo mais longo não são os da infraestrutura, mas os da qualificação pessoal. Para formar engenheiros, médicos, economistas e outros acadêmicos são necessários investimentos de no mínimo uma década, porque antes de colocar o aluno na sala de aula, será preciso atrair um excelente professor, que talvez esteja trabalhando em uma indústria, banco ou em uma autarquia pública. Outro movimento necessário é reduzir limites até agora alcançados, como por exemplo, a carga tributária, o lead time logístico, o tempo de atendimento dos serviços públicos e de indicadores sociais como a inclusão, redução de pobreza e desigualdades regionais, entre outras.

O sinal que o Banco Central está nos dando é que o limite do crescimento foi ultrapassado e o freio foi acionado. Pela experiência histórica, o tempo que o BC usa para aumentar os juros é três vezes mais curto do que o tempo que ele leva para baixar os juros. Portanto, retirar um pouco o pé do freio significa, fazendo os cálculos, que demoraremos mais de um ano e meio para alcançarmos novamente o patamar do início deste ano. Talvez possamos fazer crescer algum destes limites, para alimentar o crescimento sustentável de 7% ou mais, por um longo período. Temos o direito de sonhar com esta perspectiva.

Ingo Plöger é empresário, engenheiro economista, conselheiro de empresas nacionais e internacionais e presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional. Escreve mensalmente na Infomoney.